Análise de caso
Caso AgroGalaxy e a onda de recuperações judiciais no agronegócio
· 9 min de leitura
Revendas, produtores e tradings entraram em crise ao mesmo tempo. A causa não foi só clima — foi estrutura de capital de giro.
A AgroGalaxy, uma das maiores redes de revenda de insumos agrícolas do país, pediu recuperação judicial em 2024, com dívida bilionária, no meio de uma onda de pedidos no agronegócio brasileiro. O setor combinou quebra de safra em algumas regiões, queda de preço de commodities, juros altos e um ciclo de crédito que havia sido generoso demais nos anos anteriores.
A mecânica da crise no agro
- A revenda compra insumo com prazo, vende ao produtor com prazo maior e financia essa diferença — o capital de giro é o negócio.
- Quando o produtor atrasa, o estoque encalha e o custo financeiro sobe, o ciclo trava em poucas semanas.
- Barter, CPR e recebível de safra criam camadas de garantia sobrepostas e difíceis de mapear sem trabalho técnico dedicado.
- A sazonalidade concentra caixa em poucos meses: errar a janela de negociação custa um ciclo inteiro.
O que fazer antes que a safra defina o destino
Em crises do agro, o calendário manda. Negociar em fevereiro é diferente de negociar em setembro. Mapeamos garantias por safra, reconstruímos o fluxo de caixa amarrado ao calendário agrícola e levamos o caso a fundos que entendem recebível de safra — FIDCs e securitizadoras que precificam CPR e barter melhor do que o banco tradicional.
Atendemos agro desde antes desta onda. A diferença entre a revenda que sobrevive e a que fecha raramente está na safra: está em quem enxergou o travamento do giro com três meses de antecedência.
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