Análise de caso
Caso Azul: por que reestruturação parcial costuma virar reestruturação judicial
· 7 min de leitura
A Azul renegociou dívida fora do tribunal em 2024 e mesmo assim recorreu ao Chapter 11 em 2025. O padrão se repete em empresas de todos os tamanhos.
Em 2024, a Azul conduziu uma reestruturação de dívida fora de processo judicial, com conversão de obrigações com lessores e fabricantes em participação acionária. Em 2025, ainda pressionada por câmbio, custo de combustível e alavancagem, recorreu ao Chapter 11 nos Estados Unidos.
O padrão da reestruturação insuficiente
Renegociação parcial é tentadora porque preserva a imagem e evita o desgaste do processo. Mas quando o alívio negociado é menor do que o buraco real, a empresa gasta o seu capital político com credores — e chega à etapa seguinte com menos crédito de confiança e menos alternativas.
Como calibrar o tamanho da negociação
- Dimensionar a dívida sustentável a partir do EBITDA normalizado e conservador, não do EBITDA do melhor ano.
- Testar o plano contra dois cenários adversos: queda de receita de 15% e alta de custo financeiro.
- Negociar uma vez, com todos os credores relevantes, e não em rodadas sucessivas separadas.
- Incluir na conta o capital de giro necessário para a retomada — não só as parcelas da dívida.
Na prática: se o alongamento negociado só resolve os próximos doze meses, a empresa não fez uma reestruturação. Fez uma pausa.
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