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Análise de caso

Caso Light: quando a crise não é do caixa, é do contrato

· 7 min de leitura

A recuperação judicial da Light expôs um risco pouco discutido: passivos e obrigações contratuais que nenhum corte de custo resolve.

A Light entrou em recuperação judicial em maio de 2023, com dívida da ordem de R$ 11 bilhões, em meio a uma disputa sobre o futuro da sua concessão de distribuição de energia e a perdas estruturais na área de concessão. O plano foi aprovado em 2024, com reestruturação de dívida e capitalização.

A lição: risco contratual é risco financeiro

Boa parte das crises que atendemos não nasce em planilha de custos. Nasce em contrato: cláusula de exclusividade que amarra preço, contrato de fornecimento com reajuste desfavorável, garantia cruzada, covenant bancário disparado por um indicador acessório, contrato de aluguel com multa desproporcional.

O inventário contratual que quase ninguém faz

  • Todos os contratos com cláusula de vencimento antecipado por evento de crise (inclusive pedido de recuperação).
  • Garantias reais e fidejussórias — quem avalizou o quê, e com qual patrimônio pessoal.
  • Contratos que exigem consentimento de terceiro em caso de mudança de controle.
  • Obrigações regulatórias, ambientais e de licenciamento com potencial de parar a operação.

É exatamente esse levantamento que precede o nosso serviço de avaliação patrimonial e risco. Antes de discutir dívida, é preciso saber o que pode ser executado, o que pode ser bloqueado e o que ameaça o patrimônio pessoal dos sócios.

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