Análise de caso
Caso Oi: por que uma empresa entra em recuperação judicial duas vezes
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A Oi saiu de uma RJ bilionária e voltou para outra em 2023. O que isso ensina sobre planos que reperfilam dívida sem consertar o negócio.
A Oi pediu recuperação judicial em 2016 com dívida superior a R$ 60 bilhões, encerrou o processo em 2022 e voltou a pedir proteção judicial em 2023. Entre uma coisa e outra, vendeu a operação móvel, alienou torres e data centers e tentou migrar para um modelo focado em fibra. Ainda assim, a geração de caixa não acompanhou o serviço da dívida remanescente e o legado regulatório.
O erro clássico: reperfilar sem reestruturar
Um plano que apenas alonga prazos e reduz juros compra tempo. Se, dentro desse tempo, a empresa não resolve margem, estrutura de custos e modelo de negócio, o vencimento reprogramado chega exatamente igual — só que com menos ativos para vender e menos credores dispostos a negociar de novo.
Sinais de que um plano é só reperfilamento
- As projeções dependem de crescimento de receita acima do histórico da empresa, sem mudança concreta na operação.
- O ganho de EBITDA vem de 'eficiências' não detalhadas em iniciativas com dono, prazo e valor.
- A venda de ativos financia o dia a dia, não o investimento que sustenta o futuro.
- Não há governança de execução: ninguém acompanha o plano mês a mês depois da homologação.
O que fazemos diferente
Plano homologado não é o fim do trabalho — é o começo da parte difícil. Em reestruturação completa, a fase de execução dura anos e exige acompanhamento semanal de indicadores, comitê ativo e correção de rota. Empresa que dispensa o assessor no dia da homologação costuma reencontrar o mesmo problema dois ou três anos depois.
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