Cada mês de adiamento consome alternativa, garantia e poder de negociação. Uma conta que quase ninguém faz.
'Vamos esperar o próximo trimestre para ver se melhora.' Essa frase, dita em reunião de sócios, é provavelmente a decisão mais cara que uma empresa em dificuldade pode tomar — e é tomada por ser a única que não exige coragem imediata.
O que se perde a cada trimestre de espera
- Limite bancário: bancos reduzem exposição gradualmente e sem aviso formal.
- Garantia livre: ativos vão sendo dados em operações emergenciais, cada vez piores.
- Prazo de fornecedor: passa de 60 dias para antecipado, aumentando a necessidade de giro.
- Talento: os melhores profissionais saem primeiro, porque são os que têm alternativa.
- Reputação comercial: protesto e negativação viram conhecimento público do setor.
- Alternativas jurídicas: acordo extrajudicial exige credores ainda dispostos a conversar.
Fazendo a conta
Some o custo do funding emergencial contratado no período, o deságio adicional na venda de ativo feita com pressa e a piora nas condições de acordo. Em casos que acompanhamos, seis meses de espera custaram mais que o valor total do projeto de reestruturação que a empresa evitou contratar.
Esperar é uma decisão, com preço e com prazo. A diferença é que ela nunca aparece registrada em ata.
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